Pois é, o tempo passa mesmo a “correr”. O icónico utilitário francês completou em 2025 o seu 35º aniversário, estando hoje pronto para a sua 6º geração, bem vivo e recomenda-se, com mais de 15 milhões de unidades vendidas e cerca de meio milhão no mercado nacional.

A primeira geração do Clio, foi lançada em 1990, e tinha a difícil tarefa de substituir um outro modelo icónico da Régie, o Renault 5. A fórmula não poderia ter sido a mais acertada e a história encarregou-se de demonstrar isso mesmo, sendo um dos automóveis mais vendidos da Europa e eleito “Carro Europeu do Ano” em 1991.

Renault clio 3 door 23

O projecto X57, nome de código da primeira geração do Clio, iniciou-se ainda nos anos 80, com a Renault a formar duas equipas de design, pedindo ainda ajuda a Giorgetto Giugiaro, que concebeu um desenho que viria a se reutilizado na primeira geração do Fiat Punto. Em Junho de 1990, o Clio era apresentado ao público, no Salão Automóvel de Paris, começando as vendas logo após a apresentação, primeiro em França e pouco depois o resto da Europa, com excepção do mercado britânico que teve de esperar até Março de 1991. A plataforma base e a suspensão são praticamente as mesmas do Super 5, com suspensão MacPherson na frente e barra de torção na traseira e umas linhas que eram muito mais arredondadas e suaves que as do antecessor Renault 5.

Os novos motores neste modelo eram os 1,2L de 54cv e 1,4L de 75cv Energy, que se juntavam ao motor de 1,1L e 60cv a carburador, disponível numa fase inicial até que os motores a carburador foram sendo substituídos pelos de injecção, devido às normas de emissões. No campo dos diesel, havia a opção pelo motor de 1,9L de cilindrada atmosférico, com 64cv.  Em certos mercados houve ainda um motor de 1,7L, passando para os 1,8L em 1991 com 90cv, derivado do utilizado no Renault 5 GTX e Baccara.

Renault clio rt 5 door 40 1

Um ano após estar no mercado, foi feita uma pequena actualização do modelo, com um emblema da Renault mais “suave”, eliminando as nervuras do anterior, e os bancos com um novo desenho. Apesar destas alterações, isto não constituiu numa nova fase do modelo. As alterações mais notórias ocorreram em Março de 1994, quando foi apresentado a Fase 2 do Clio no Salão Automóvel de Genebra, com uma alteração de grelha frontal, passando de duas barras em metal, para uma única em plástico e de maior grossura, os frisos laterais era mais largos e arredondados, onde passaram a incluir a versão, foi adicionada uma barra entre os farolins traseiros com um padrão a imitar fibra de carbono e os próprios farolins tinham agora uma “bolha”, tornando-os mais arredondados.

Em 1996 chega o último facelift da primeira geração do Renault Clio, com uma frente completamente redesenhada, onde os faróis são mais redondos e incorporam agora os piscas, o capo é redesenhado, os para-choques também receberam um novo desenho e na traseira foi adicionada uma terceira luz de stop. O emblema do modelo Clio também foi actualizado, sendo mais arredondado, seguindo a linha da gama Renault. Nesta altura o motor 1,2L Energy foi substituído pelo 1,2L DiET de 58cv, que tinha sido estreado no Renault Twingo. O motor 1,4L também sofreu algumas alterações ao nível da cabeça do motor, para assim melhorar os consumos.

Renault clio 151 1

Apesar dos seus 30 anos, a primeira geração do Clio ainda é um automóvel que se vê bastante nas estradas portuguesas, o que demonstra a sua fiabilidade e um grande número de vendas, com 172.258 unidades vendidas. Como curiosidade, o Renault Clio era vendido no Japão como Renault Lutecia, pois a Honda detém os direitos do nome Clio, devido a um concessionário com o mesmo nome. As versões mais apimentadas desta geração do Clio ficarão para um outro artigo, de modo a serem descritas com maior detalhe.

Texto original escrito para o Jornal dos Clássicos.

Renault clio 133 1